Descolamento de retina – quando suspeitar
O descolamento de retina é uma doença relativamente rara, mas extremamente importante, porque quando não é identificada e tratada rapidamente pode levar à perda irreversível da visão.
Existem alguns grupos de maior risco. Pacientes com miopia, diabetes, histórico de trauma ocular (pancada no olho) e aqueles que já fizeram cirurgia de catarata têm uma chance um pouco maior de desenvolver descolamento de retina. E como a cirurgia de catarata é hoje a mais realizada no mundo, isso faz com que, na prática, a gente veja muitos casos.
Um ponto fundamental: doenças da retina, em geral, não causam sintomas como olho vermelho, dor, lacrimejamento ou sensação de areia. Os sintomas são exclusivamente visuais.
Os sinais de alerta mais comuns são:
- aparecimento ou piora de “moscas volantes” (pontinhos ou sujeirinhas que flutuam na visão)
- flashes de luz (como pequenos relâmpagos)
- sensação de sombra ou piora da visão em um dos olhos
Esses sintomas acontecem, na maioria das vezes, porque o gel que preenche o olho por dentro — o vítreo — começa a tracionar a retina. Como a retina é um tecido especializado em captar luz, essa tração pode ser percebida como flashes.
Se nesse processo surge uma pequena rasgadura na retina, ainda estamos em uma fase inicial, e muitas vezes um tratamento com laser resolve o problema e evita algo mais grave.
O problema é quando essa etapa passa despercebida. A partir do momento em que a retina começa a se descolar da parede do olho, já entramos em um cenário completamente diferente, que exige cirurgia.
E aqui entra o ponto mais importante: o tempo.
As células da retina dependem de estar aderidas à parede do olho para receber oxigênio e nutrientes. Quando a retina se descola, essas células começam a sofrer e podem morrer. Por isso, mesmo que a cirurgia consiga recolocar a retina no lugar, a visão pode não se recuperar se o tratamento for tardio.
Uma forma simples de entender é comparar com um infarto: se a pessoa demora dias ou semanas para procurar atendimento, muitas vezes já perdeu a chance de salvar aquele tecido.
Por isso, a orientação é muito clara:
percebeu flashes, aumento de moscas volantes ou qualquer alteração visual súbita — procure um oftalmologista imediatamente.
O exame nesses casos inclui dilatar bem a pupila e avaliar toda a retina, especialmente as regiões periféricas, onde essas lesões costumam começar.
Se for identificado apenas um rasgo, muitas vezes o tratamento é feito rapidamente com laser.
Se já houver descolamento, principalmente em fase inicial, estamos diante de uma urgência oftalmológica.
Existe uma situação crítica e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade: quando parte da retina está descolada, mas a região central (mácula) ainda está preservada. Se o paciente for operado rapidamente, é possível salvar a visão.
Infelizmente, o que ainda vemos com frequência é o atraso no tratamento — seja por dificuldade de acesso, seja por demora em sistemas de saúde — e isso pode custar a visão do paciente.
Descolamento de retina não é uma condição para esperar.
O diagnóstico precisa ser rápido, e o tratamento também.
Porque, depois que a visão é perdida nesse contexto, não existe tratamento capaz de recuperá-la completamente.