Informação para Oftalmologistas

Por que lembrar da braquiterapia ocular?
A braquiterapia ocular é hoje tratamento padrão internacional para o melanoma uveal em tumores pequenos, médios e em parte dos tumores grandes, com taxas de controle tumoral equivalentes à enucleação, conforme demonstrado em grandes séries e estudos cooperativos internacionais.
A grande diferença não está na taxa de cura — está no que o paciente perde (ou não perde) ao longo do tratamento. Evitar a retirada do olho, a enucleação, tem imenso benefício para a maior parte dos pacientes.
Braquiterapia ocular versus enucleação
Do ponto de vista oncológico:
- Controle local do tumor equivalente à enucleação
- Não há aumento do risco de metástase
- Seguimento sistêmico permanece o mesmo, independentemente da técnica
Do ponto de vista funcional e psicológico:
- Preserva o globo ocular
- Permite manutenção de visão residual em muitos casos
- Resultado estético-funcional incomparavelmente superior
- Evita o impacto psicológico associado à amputação do olho
Para muitos pacientes, manter o olho não é um detalhe — é parte central da qualidade de vida.
Tecnologia disponível hoje no Brasil (padrão EUA e Europa)
Atualmente, o Brasil dispõe de placas de braquiterapia modernas, equivalentes às utilizadas nos principais centros internacionais.
Placas de braquiterapia modernas (EYEPhysics)
- Placas finas, de baixo perfil
- Utilizam sementes radioativas de iodo-125
- Material importado regularmente (a cada ~40 dias)
- Permitem tratamento seguro de tumores com até 12 mm de espessura
- Excelente controle tumoral documentado em séries clínicas
Essas placas ampliaram significativamente o espectro de tumores passíveis de tratamento conservador.
Tratamento de tumores peripapilares: placas com Notch
Lesões próximas ao nervo óptico sempre foram um desafio técnico.
Hoje, com as placas com Notch, é possível:
- Tratar tumores justapapilares ou peripapilares
- Manter cobertura adequada do tumor
- Reduzir falhas marginais
- Evitar enucleações que antes eram consideradas “inevitáveis”
Isso muda completamente o raciocínio terapêutico em tumores próximos ao disco óptico.

Ultrassom intraoperatório: mais segurança, mais precisão
Durante o procedimento, realizamos ultrassonografia intraoperatória, que permite:
- Confirmar o correto posicionamento da placa
- Documentar cobertura completa do tumor
- Ajustar a placa em tempo real, se necessário
Há evidência científica consistente mostrando que o uso do ultrassom intraoperatório aumenta a segurança do procedimento e reduz o risco de erro de posicionamento — um dos fatores críticos para controle tumoral.
Encaminhamento e cobertura pelos convênios
Um ponto importante na prática diária:
- Embora o tratamento seja realizado em São Paulo
- Convênios de outros estados frequentemente autorizam o procedimento
- A Unimed, em particular, costuma cobrir a braquiterapia quando há indicação adequada
Na prática, quando o convênio compreende que:
- Trata-se do tratamento correto
- Evita enucleação
- Oferece melhor desfecho funcional
- Segue diretrizes internacionais
a autorização costuma ocorrer, mesmo fora do estado de origem do paciente.
Quando lembrar da braquiterapia ocular?
Sempre que houver:
- Diagnóstico de melanoma uveal
- Olho que ainda não é doloroso
- Interesse em preservar o olho e visão residual
Conclusão
A braquiterapia ocular permite:
- Curar o câncer
- Preservar o olho
- Manter função visual residual
- Oferecer melhor qualidade de vida ao paciente